domingo, 21 de abril de 2013

#Nerds Entrevista | Alexandre Callari

Conheça Alexandre Callari | Editor da DC Comics no Brasil

O cara além de editor da DC Comics aqui no Brasil (putz, um dos trabalhos que gostaria de ter), é tradutor oficial de toda e qualquer literatura em torno de 'Conan, o Bárbaro', isso mesmo, tudo que sai a respeito de Conan, seja HQ, livro etc, passa pela
mão deste cara. E também muitos outros trabalhos que ele se envolve tanto como profissional e, é claro, também como fã. Além dos trabalhos nas editoras, Alexandre é também escritor e já está com trabalhos nas livrarias e no forno, mas chega de lenga-lenga e vamos a entrevista, entrevista esta, que tive o prazer de 'conduzir' através de emails.

Com vocês Alexandre Callari.

Quem é Alexandre Callari e o que faz da vida?
Eu já trabalhei em diversas áreas, de políticas públicas a música, passando por artes marciais e segurança privada. Hoje sou escritor, tradutor e editor de revistas em quadrinhos. Sou autor do livro Apocalipse Zumbi – Os Primeiros Anos (o primeiro do gênero feito por um autor brasileiro), coautor da série Quadrinhos no Cinema (atualmente chegando ao terceiro volume), entre outras publicações. Traduzi livros como as biografias do Alan Moore, Osamu Tezuka e Pink Floyd, o romance Conan – o Bárbaro, dezenas de livros de gestão e tecnologia e HQs. Atualmente sou editor da DC Comics no Brasil, trabalhando com heróis como Batman e Liga da Justiça.
 
Desde quando você acompanha, como fã, as publicações de Conan, como começou sua coleção?
Assisti o primeiro filme em 1982. Ainda era bastante criança, mas me apaixonei pelo personagem. Ocasionalmente lia histórias do bárbaro que saíam em Heróis da TV ou Superaventuras Marvel (ambas da [editora] Abril) na casa do meu tio, mas quando o título 'A Espada Selvagem de Conan' chegou às bancas, passei a acompanha-lo regularmente.

Qual foi sua primeira impressão (o que você pensou) sobre este personagem criado por Howard?
Eu era muito jovem e, na época, o que me impressionou foi o barbarismo e a selvageria, mas também a honra e hombridade (e lógico, as belas mulheres). Foi só muito depois que comecei a compreender a profundidade psicológica de Conan.

Diante de tantos heróis (e possivelmente, anti-heróis), porque identificou-se com o Conan?
É uma pergunta difícil. Acredito que deve ser algo relacionado ao meu background. Eu gosto da independência do personagem, do fato de ele ser um espírito livre e de não baixar a cabeça para ninguém. Ele também viveu várias vidas em uma (foi ladrão, pirata, mercenário, rei, etc.) e essa é uma natureza que me agrada – tanto que minha própria vida pode ser descrita da mesma maneira. Ele manipula uma arma com a qual tenho afinidade, a espada, e vive em um mundo de magia, deuses e mitologia – o que é sempre instigante. Enfim, acho que são vários os fatores.

Quais outros personagens de HQs, tanto do universo do Conan quanto do universo em quadrinhos em geral, você também acha badass?
Não existe personagens que eu não goste. Tudo depende do escritor. Se o escritor é bom, ele consegue pegar um personagem de quinta categoria e fazer algo genial, sendo um exemplo clássico o Homem-Animal de Grant Morrison. Mas, claro, tenho minhas preferências. Em geral, minha predileção é por heróis urbanos, como Batman, Justiceiro e Demolidor. Prefiro esses aos megapoderosos, como Superman e Lanterna Verde. Gosto muito do Capitão América por causa do anacronismo que ele representa e também do Wolverine (quando consegue ser bem trabalhado). Voltando ao universo do Conan, obviamente tenho uma paixão desenfreada pela Sonja, embora a heroína dos quadrinhos seja bem diferente da criação do Howard. Acho que Salomão Kane é o personagem mais complexo criado pelo escritor (seus contos são simplesmente brilhantes), e também gosto muito do Bran Mak Morn. De todos, o mais fraquinho é o Rei Kull.
 
Como colecionador, quantas revistas e outros materiais do gigante de bronze você possui?
Eu coleciono apenas quadrinhos. Tenho quase tudo que saiu do Conan no Brasil, desde a época da Minami & Cunha. Não tenho a edição pirata da Graúna, em que ele foi chamado de Hartan e enfrentou o Elric, mas espero um dia obtê-la. Tenho também todos os livros que saíram.

Qual ou quais são os desenhistas e arte-finalistas de Conan que são os seus favoritos?
John Buscema! Insuperável!!!
Barry-Smith! Um segundo lugar memorável!!!
Mas, se sairmos do universo das HQs, obviamente minhas primeiras escolhas vão para os capistas, como Earl Norem, Joe Jusko, Boris Vallejo e o homem que começou tudo e que foi o maior gênio da ilustração fantástica que já existiu: Frank Frazetta.

De todas as mulheres que se envolveram com o Conan, qual você traria para o mundo real exatamente como ela é?
A Valéria do primeiro filme, interpretada pela atriz Sandahl Bergman.

Quais histórias publicadas são as suas prediletas?
Essa é difícil, especialmente porque não vou me lembrar do nome de todas as aventuras. Mas vamos lá: praticamente toda a primeira fase da Espada Selvagem (nos. 1 ao 100) é brilhante, com destaque carinhoso às edições que adaptam contos do Howard. O encontro do Conan com Thor foi muito especial, publicado em Grandes Heróis Marvel 5 (da Abril), assim como o Conan desenhado por Neal Adams e por [Enrique] Alcatena (pena que ele fizeram tão pouco). Uma história que adoro foi publicada no Almanaque Conan 3, chamada A Maldição do Morto-Vivo, e tem participação da Sonja. Em tempos mais recentes, Nascido em Campo de Batalha foi uma aventura muito especial, que merece destaque.

Quando começou seu envolvimento profissional com este universo, mais precisamente no que diz respeito a Conan?
Foi um processo gradual. Trabalho como tradutor há mais de dez anos, mas levou muito tempo até migrar para livros de cultura pop e, em específico, quadrinhos. Infelizmente, minha relação com Conan profissionalmente se limita à tradução do livro e a traçar a biografia dele no primeiro Quadrinhos no Cinema, o que me orgulho muito de ter feito. Recentemente terminei a tradução de Salomão Kane – uma edição que reunirá todas as histórias do puritano escritas por Howard em um só volume.

O que você achou da saída da revista de uma editora, digamos, regular que era a Abril para editoras, relativamente, desconhecidas?
Foi positiva. A Abril estava parando de publicar quadrinhos de heróis (tanto que, algum tempo depois, encerrou em definitivo suas publicações). As pessoas que estavam lidando com Conan não sabiam mais o que fazer com o personagem e as últimas edições de A Espada Selvagem... só traziam republicações. Os editores da Abril diziam que não existia mais material inédito de Conan, mas quando a Mythos assumiu, ela não só fez um trabalho de compilar cronologicamente toda a obra, como também trouxe material inédito a dar com o pau. – incluindo as tiras diárias! Fora isso, tivemos 50 edições da fase nova do Cimério que, nas mãos de Kurt Busiek, era muito boa (pena que [Timothy] Truman não manteve a mesma pegada). Hoje em dia, o público de Conan é limitado, o que acarretou no cancelamento da revista mensal e nos limita a apenas poucos especiais por ano. Isso não é culpa de ninguém, mas um reflexo do panorama contemporâneo. Ainda assim, os encadernados cumprem sua função e fico feliz de tê-los. A algum tempo, aquela edição maravilhosa capa dura de Conan – O Libertador, foi uma das coisas mais lindas que já vi na vida.

Atualmente estou lendo o livro do Conan o Bárbaro (já passei da metade), do qual você foi o tradutor, particularmente não achei que o livro seja igual (contextualmente falando) ao último filme. Definitivamente achei muito mais identificável com o Conan clássico das histórias da velha 'Espada Selvagem de Conan', apesar de ser em uma linha de tempo onde o Cimério já esteja envelhecido e soberano da Aquilônia, ou seja, o livro está infinitamente melhor do que o filme com Momoa foi, vi que está opinião é partilhada por alguns amigos, gostaria de saber se você concorda com esta linha de pensamento?
Sem sombra de dúvida! O que esse livro fez foi trazer aos fãs de Conan todas as histórias do Howard que ainda estavam inéditas no Brasil, inclusive o romance A Hora do Dragão. Então, é um compilado para fã mesmo, um grande presente para quem achava que jamais veria em língua portuguesa essas histórias. Agora, quanto ao filme, ele descaracteriza totalmente o personagem – o que é uma pena.

Já que citamos o filme, fale sobre cada um dos filmes do Cimério feitos até hoje, começando lá em 82 com Conan o Bárbaro, passando por Conan o Destruidor, de 84 e chegando até o último, de 2011, onde o Cimério é interpretado por Jason Momoa.
Adoro o primeiro Conan. Não é o herói do Howard, não é o herói dos quadrinhos, mas é um filme bom pra cacete, comandado por um diretor foda e de visão (John Milius). Foi o filme que lançou a conanmania e catapultou a carreira do Arnold [Schwarzenegger]. Para mim é, até hoje, um dos melhores filmes de Espada e Feitiçaria já feitos – devo ter assistido mais de 30 vezes! O segundo foi um erro. Tiraram tudo o que o original tinha de especial e diferente, a selvageria e brutalidade, em prol de um filme mais “família”. James Earl Jones também faz falta, assim como (e principalmente) a mão do diretor. Mas, tudo bem, não é execrável. Apenas uma boa diversão. O filme recente é uma bomba.

Você achou que o [Jason] Momoa foi uma boa escolha? Quem você indicaria para o papel?
Achei. Não sei se ele seria minha escolha, mas, convenhamos, não é ele quem compromete o filme. Achei sábia a escolha dos produtores de fugir de um halterofilista que seria imediatamente comparado a Arnold (lembram da série de TV?), mas o problema é que nada mais funciona no filme. O roteiro é ri-dí-cu-lo! Os efeitos são toscos! Os atores não têm carisma! Enfim, não tinha como dar certo...

E sobre o próximo filme de Conan, que será interpretado pelo próprio Schwarzenegger, é boato, vai mesmo sair, o que acha?
Foi anunciado e está no IMDB (The Legend of Conan), então não é boato. Se vai sair mesmo, é outra história. Sinceramente, espero que sim, pois ia dar um up na carreira do Arnold e satisfazer a vontade de fãs em todo o mundo.

Que eventos futuros, nós os fãs de Conan, podemos esperar?
Putz, na verdade, não disponho dessas informações. Mas, como fã, também espero que muita coisa boa venha por aí.

Saindo um pouco dos tempos Hiborianos, em que outros trabalhos você tem se envolvidos fora do universo do Cimério?
No mês que vem estou lançando a continuação de Apocalipse Zumbi, o segundo de uma trilogia. Estou preparando um almanaque muito especial, mas que sairá só no ano que vem e continuo atuando como tradutor de obras diversas.

Alguma mensagem final para nossos leitores?
Sim, gostaria de deixar um abraço a todos e recomendar que conheçam não só os quadrinhos e filmes do Conan, mas que busquem, principalmente, os textos originais. Valeu.

Onde o pessoal que quiser entrar em contato com você pode te achar? (seu site, email etc?)
Eu tenho meu site, o Pipoca e Nanquim, em que falamos sobre cinema e quadrinhos e, claro, o jeito mais fácil é meu perfil no face. Valeu e um abraço!



Flavio Krom | O #Nerds gostaria de registrar aqui o agradecimento e muita consideração ao Alexandre pela entrevista.

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